quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Barca do Povo - um pouco de sua história


Barca do Povo
O Projeto “Barca do Povo” nasceu no ano 2000, na cidade de Itajaí, litoral norte de Santa Catarina. Inicialmente a “Barca” era um projeto de comunicação popular, mantido como projeto de extensão do curso de jornalismo da Univali - Universidade do Vale do Itajaí.
Tendo como elemento principal trabalhar a comunicação de forma libertária, a “Barca” passou a atuar nas comunidades de periferia de Itajaí de acordo com os pressupostos do Jornalismo de Libertação, teoria elaborada pela jornalista Elaine Tavares, iluminada pela Filosofia da Libertação, do argentino Enrique Dussel.
“O Sardinha” – impresso
O primeiro veículo de comunicação produzido pela “Barca” foi o jornal mensal “O Sardinha”, que começou em novembro de 2000 com a intenção de servir como um veículo que pudesse retratar os temas de interesse da maioria da população e, preferencialmente, das comunidades com as quais o projeto se relacionava. Ou seja, comunidades da periferia de Itajaí.
O jornal O Sardinha nasceu do desejo das comunidades de periferia de partilharem a informação. A proposta, então, foi a criação de um veículo impresso que pudesse conter as reivindicações, as ações afirmativas, as denúncias, os desejos, os sonhos, as histórias das pessoas que construíram a cidade e os exemplos de outras formas de tocar a vida. E, assim, em novembro de 2000, circulou o primeiro jornal efetivamente popular de Itajaí. Até então, raros eram os veículos que abordavam a vida da periferia do ponto de vista da própria periferia. Os pobres, no mais das vezes, quando aparecem no jornal ou na TV são sempre os bandidos, os feios, os malvados.

O Sardinha surgiu com o compromisso do trabalho solidário e sem a pretensão de dar voz aos que não a têm, porque este é um conceito impostor. Todos têm voz e podem expressá-la, desde que tenham oportunidade para isso. O jornal sempre foi um espaço plural e libertário no qual as comunidades encontraram guarida e puderam dizer sua palavra, sem censura ou preconceito.
O impresso circulou durante anos, com três mil exemplares, de forma totalmente gratuita, nas comunidades de periferia do município de Itajaí e região. Era produzido de forma coletiva por estudantes de jornalismo, agentes comunitários e outros parceiros que queiram ter sua palavra liberta.

Jornal é entregue nas mãos da Comunidade

Depois de todo o trabalho de reportagem, diagramação e impressão do jornal “O Sardinha”, os próprios barqueiros se encarregavam de distribuir para a comunidade. No bairro Nossa Senhora das Graças, que fica ao lado da Univali e foi o primeiro parceiro, o jornal era entregue nas mãos de cada família de moradores. Todo o bairro era percorrido para que ninguém ficasse sem sua edição. O Sardinha também era distribuído nos morros e nas demais comunidades de periferia da cidade. Os barqueiros andavam pelos caminhos tortos e quebradas onde a informação, que quase nunca diz respeito a eles, costuma chegar apenas pela televisão ou rádio.


Sardinha na mão do presidente

No ano de 2002, durante a campanha eleitoral, o então candidato Luis Inácio Lula da Silva, esteve na cidade de Itajaí. O objetivo da visita era participar de um Fórum sobre a pesca que estava acontecendo na cidade peixeira. Naquela oportunidade,Lula declarou que iria ser criada a Secretaria da Pesca, hoje já transformada em Ministério. Durante o encontro, os barqueiros abordaram Lula para entregar o jornal O Sardinha em suas mãos.


O Sardinha no ar
Com a proposta de estender o trabalho realizado no Sardinha Impresso, o Sardinha no Ar nasceu em 2001 e viajou por dois anos e nas ondas radiofônicas através da Rádio Comunitária Conceição FM, 105,9, em Itajaí. Festas comunitárias, discussões políticas, problemas e polêmicas da periferia, ações afirmativas, lutas dos movimentos sociais do país, da América Latina e do mundo, além de arte, cultura e música eram os temas abordados no programa que era transmitido ao vivo toda segunda-feira, das 11h às 11h e 30min. A identificação com a comunidade consolidou o trabalho realizado pelo programa, que recebia muitas ligações de ouvintes que fazendo denuncias sobre problemas enfrentados no seu bairro, reivindicações, pedidos de esclarecimentos de dúvidas. O Sardinha no Ar, também realizou oficinas de rádio nas comunidades e capacitou agentes comunitários.

Atividades comunitárias
O projeto “Barca do Povo” sempre atuou em sintonia com as comunidades de Itajaí, nos seus mais importantes projetos. Em 2001, 2002 e 2003, realizou atividades recreativas e distribuição de alimentos e brinquedos, no bairro Nossa Senhora das Graças, onde cerca de 500 crianças participaram em cada edição. A “Barca” também participou como convidada em diversas festas comunitárias e quermesses em Itajaí.

Atividades culturais
O projeto Barca do Povo participou ativamente do projeto artístico/cultural Brique Aqui, promovido pela livraria Casa Aberta, em Itajaí e esteve presente nas mais importantes atividades do Movimento Hip-Hop de cidade. No ano 2002 promoveu debates sobre Racismo, Che Guevara e a Revolução.

Centro de Arte Cultura e Comunicação Popular Barca do Povo
A partir de 2003 o projeto “Barca do Povo” saiu da estrutura da universidade e foi transformado num Centro de Arte Cultura e Comunicação Popular, entidade não governamental, com sede também na cidade de Itajaí. Além de dar continuidade no trabalho realizado em seus veículos de comunicação e em suas atividades comunitárias e culturais, a “Barca do Povo” incorporou outros projetos e aumentou sua atuação nas comunidades empobrecidas de Itajaí e outras cidades e regiões.
Combi do Povo
A idéia de montar uma Combi cultural e artística teve como principal objetivo levar às comunidades de periferia das cidades da região do Vale do Itajaí Arte, Cultura e Conhecimento. A Combi do Povo iniciou o trabalho pela periferia de Itajaí e região, mas, com o tempo, passou a circular por outros lugares como um Centro Autônomo de Arte, Cultura e Conhecimento ambulante, trazendo dentro dela elementos do teatro, livros e propostas culturais de todos os tipos para serem trabalhadas junto aos bairros pobres de várias regiões do Brasil e América Latina. As principais atividades realizadas pela Combi do Povo eram exposições fotográficas, música, poesia, peças teatrais, artesanato, lançamento de livros, debates etc..
A “Combi do Povo” era o veiculo de transporte oficial da “Barca” onde os barqueiros viajam para encontros e seminários e passaram a participar ativamente dos fóruns sociais mundiais e de encontros de comunidades alternativas.
Oficinas de Comunicação Popular
Através do projeto de oficinas de comunicação popular da “Barca do Povo”, diversas oficinas de comunicação, como rádio comunitária, fotografia, música e teatro, foram realizadas em diferentes espaços comunitários em Itajaí. As oficinas também foram promovidas durante o projeto “Escola Aberta” e circulou por diversas escolas da cidade de Itajaí e região.
O projeto de oficinas também foi realizado durante um bom tempo no CIP – Centro de Internação Provisória, que trabalha come menores infratores na cidade de Itajaí.
Ricardo Casarini, desde 2001, foi um dos barqueiros e durante alguns anos, um dos coordenadores do Centro de Arte Cultura e Comunicação Popular Barca do Povo.

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